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Mark ruffalo

July 10th, 2008 · No Comments
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15: Sobre Fogo Amigo, Concessões e Montagem (de novo)

no final de novembro de 2007, com a quarta versão da montagem concluída, fui ingênuo ou arrogante a ponto de achar que o filme já estivesse quase pronto.certo disso, resolvi fazer uma sessão para amigos. pensei que iria receber alguns aplausos, ouvir poucos toques, fazer os inevitáveis ajustes e acabar o processo. o colégio santa cruz nos cedeu seu auditório, e eu nem fui conferir se o projetor estava calibrado corretamente para a cópia precária que tínhamos. não estava, mas os detalhes técnicos não impediriam ninguém de apreciar o filme. mas invés dos poucos toques que aguardava, o que recebi foi uma artilharia pesada à queima-roupa. “fogo amigo”, como dizem em brasília.não doeu tanto. sabia que todos estavam apenas interessados em me ajudar a melhorar o filme. amigos do peito mesmo assim foi duro.após a projeção, os aplausos foram mais educados do que entusiasmados, e seguidos de uns cinco segundos de silêncio.”ferrou”, pensei. para evitar o constrangimento geral, abri a fuzilaria com um tiro no próprio pé: “não estou muito seguro em relação ao primeiro ato do filme. o que acham?”"de fato está meio fraco”, um amigo emendou de bate pronto. outras vozes se seguiram e por quase uma hora fui anotando a lista de problemas que me eram apresentados e que, pelo aggregate, me ocorreu organizar em ordem alfabética.um filme sobre cegueira onde o diretor não conseguiu enxergar o que só naquele momento se revelou. irônico. lembrei da expressão “gelatina inútil”, que é como glocester se refere aos seus olhos em rei lear, por não ter enxergado que edmundo, seu filho bastardo, o enganava. é também sobre este tipo de cegueira que fala esta história.não vou aborrecer-lhes (ou alertá-los?) sobre a lista de problemas encontrados no filme, porém o que mais me preocupou foi a dificuldade de alguns amigos em se relacionar com os personagens sem nome e história. na literatura isso funcionou perfeitamente, mas no cinema percebi que não seria tão fácil.como uma espécie de instinto de sobrevivência, minimizei alguns comentários que pareceram ter mais relação com a história do saramago do que com o filme. ignorei outros tantos por serem subjetivos, questão de gosto pessoal. mas fora esses, o resto do pacote não poderia ser ignorado e me preparei para começar uma quinta versão de montagem já no dia seguinte.de 2h20, esta nova montagem foi para 2h12. escaldados, só o daniel e eu assistimos a nova versão, e depois de vê-la já partimos direto para o sexto corte, o qual seria mostrado para os distribuidores e investidores no início de 2008. trabalhamos entre o natal e o ano novo e despachamos os dvds no dia 02 de janeiro.do canadá, japão e brasil vieram boas notícias. em ny, onde fui pessoalmente levar a cópia, deu trave. a eficiente turma da miramax, distribuidora nos eua, disse que gostou, mas fizeram muitas ressalvas, principalmente quanto à intensidade do filme.por contrato, o corte final é meu, mas os caras sabem o que dizem e aproveitei este expertise e a minha disposição para repensar mais uma vez a montagem. achei que foram hipersensíveis em relação às cenas de violência sexual e não dei tanta importância aos comentários. nenhum amigo no brasil havia levantado este problema. norte-americanos são mais moralistas, generalizei. mas mesmo assim, como política de boa parceria, decidi diminuir um pouco a voltagem do filme. um pouco.voltei para são paulo no dia 14 de janeiro para atacar a sétima versão que deveria ser mostrada em toronto, em um primeiro test screening. diretores costumam odiar check up on screenings, mas eu gosto. eles colocam de 300 a 500 pessoas num cinema, projetam o filme ainda não totalmente acabado, e na saída todo mundo preenche uma ficha de avaliação cujas duas perguntas mais importantes são:1 você classificaria este filme como: excelente; muito bom; bom; regular ou pobre.2 você recomendaria fortemente este filme para um amigo?; recomendaria o filme a um amigo?; recomendaria com ressalvas?; não recomendaria?fora isso, avalia-se a about dos atores e o interesse despertado por cada personagem. há perguntas sobre o andamento do filme lento, correto ou rápido. pede-se uma avaliação do interesse despertado pelo início e final do filme, e levantam-se os pontos positivos e negativos, informações que serão usadas para fazer o trailer e o cartaz.depois que todos entregam suas fichas, eles mantêm umas 25 pessoas na sala e tem início o chamado focus group, no qual se levantam questões específicas, incluindo perguntas que o diretor ou os produtores queiram fazer.pois bem, entre os dias 14 e 25 de janeiro, o daniel e eu tivemos que mo …

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